A Justiça do Rio Grande do Norte determinou que fosse retirado do ar um blog criado de forma fraudulenta para disseminar notícias falsas. O autor do blog usou indevidamente a imagem do jornalista potiguar Muriu Mesquita, de 36 anos, para dar credibilidade a fake news e, com isso, difamar uma empresária que vive em Natal.




Muriu Mesquita mora em Los Angeles, na Califórnia, desde agosto de 2017. Ele trabalhou por mais de dez anos como repórter de televisão no Rio Grande do Norte. Há três semanas, o jornalista tomou conhecimento do site fraudulento envolvendo seu nome, quando um colega de profissão desconfiou do conteúdo completamente fora do padrão jornalístico.

O criminoso – ainda não identificado – criou a página na internet a partir de um serviço gratuito, hospedado na República Tcheca, e ilustrou o blog com fotografias do jornalista, retiradas indevidamente de redes sociais ou recortadas de reportagens antigas de TV, disponíveis na internet. Para tentar dar aparência de credibilidade, a página misturava as notícias falsas com outras verdadeiras, retiradas sem os devidos créditos e sem autorização de portais jornalísticos.

Preocupado com a imagem pessoal e profissional, o jornalista viu-se obrigado a constituir advogado e enfrentou dificuldades para conseguir a retirada do conteúdo do ar. “Sofri com as seis horas de diferença no fuso horário de Los Angeles para o Brasil. Tinha que ficar horas acordado nas madrugadas para falar com as pessoas prejudicadas e conhecidos que tentavam me ajudar a esclarecer”, contou Muriu.

O jornalista tentou registrar a queixa na delegacia virtual da Policia Civil do Rio Grande do Norte, mas recebeu uma mensagem por e-mail de que a ocorrência havia sido rejeitada pelo sistema, seguida de uma orientação para procurar a delegacia do bairro, o que era impossível, uma vez que ele mora nos Estados Unidos. Já a Polícia Federal no Rio Grande do Norte informou ao jornalista que não teria a função de investigar esse tipo de caso.

Muriu Mesquita decidiu então procurar, por conta própria, uma empresária, que foi o alvo principal de uma das reportagens falsas. A fake news relatava detalhes de um suposto golpe financeiro milionário aplicado contra um amante de origem estrangeira. “Ela estava indignada, com toda razão, e disse que iria me processar por calúnia e difamação, além de denunciar o caso à Federação Nacional dos Jornalistas. Levou certo tempo para convencê-la de que eu também era vítima e tinha todo o interesse em esclarecer tal absurdo”, explicou Muriu.

No dia 12 de Março, a juíza Lina Flavia Cunha de Oliveira, da 1ª vara cível da Comarca de Parnamirim, concedeu liminar determinando a retirada do falso blog do ar no prazo máximo de 48 horas; o bloqueio do domínio, bem como o fornecimento dos dados cadastrais e do protocolo internet (IP) do computador usado na criação do site, para que seja possível identificar o autor da fraude.

O advogado Abaeté de Paula, que representou o jornalista na ação, aguarda a identificação do fraudador para pedir sua responsabilização civil e criminal. “Cada caso exige um conjunto de estratégias para estancar danos à imagem pessoal e profissional das vítimas, bem como buscar a punição dos responsáveis e reparação dos danos sofridos”, explicou Abaeté.




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