Com os quatro suspeitos, foram apreendidos uma espingarda artesanal, um simulacro de pistola, uma balaclava, carteiras e vários documentos e cartões pessoais de prováveis vítimas de roubo, além de uma motocicleta roubada e vários capacetes — Foto: PMRN/Divulgação

Um adolescente de 16 anos, apreendido na última sexta-feira (6) por policiais militares da Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e do 11º BPM, confessou ter participado dos assassinatos de dois policiais militares – crimes ocorridos no ano passado em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal.




As vítimas foram o sargento reformado Helton Cabral da Silva, de 42 anos, morto a tiros no dia 8 de abril, e o soldado João Maria Figueiredo da Silva, de 36 anos. Este último, morto no dia 21 de dezembro, fazia parte da equipe de segurança da recém-eleita governadora Fátima Bezerra (PT). Na época, ela cobrou uma “investigação séria e profunda“.

Segundo a Polícia Civil, os casos estão sendo investigados por delegados da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que já estão com o depoimento do garoto. A apreensão do adolescente, no entanto, não significa que os crimes estão desvendados, até porque as investigações ainda apuram o envolvimento de outras pessoas nos dois assassinatos.

A apreensão

Segundo a Polícia Militar, o adolescente suspeito foi apreendido no início da tarde da sexta-feira (6) em uma ação que também apreendeu um outro menor de idade, também de 16 anos, e efetuou a prisão de dois adultos, um de 20 e outro de 22 anos. Os quatro estavam em uma casa na Rua Araras, no bairro Novo Santo Antônio, em São Gonçalo do Amarante.

O grupo é apontado como participante de vários roubos de veículos e assaltos a pessoas, tendo como característica o uso de bastante violência contra as vítimas.

Com os quatro suspeitos, foram apreendidos uma espingarda artesanal, um simulacro de pistola, uma balaclava, carteiras e vários documentos e cartões pessoais de prováveis vítimas de roubo, além de uma motocicleta roubada e vários capacetes.

As mortes

Sargento da reserva e amigo estavam em um cigarreira quando foram baleados — Foto: Heloisa Guimarães/Inter TV Cabugi

Sargento da reserva e amigo estavam em um cigarreira quando foram baleados — Foto: Heloisa Guimarães/Inter TV Cabugi

Helton

O sargento reformado Helton Cabral da Silva foi morto a tiros na madrugada do dia 8 de abril de 2018 em uma cigarreira que fica na Rua José de Alencar, no conjunto Ruy Pereira, em São Gonçalo do Amarante. O dono da cigarreira, Flaviano Martins da Silva, de 32 anos, que também foi morto, seria o verdadeiro alvo dos assassinos.

Testemunhas disseram à polícia que os criminosos se aproximaram em um carro e atiraram em Flaviano. O sargento, então, teria tentado reagir, mas os bandidos perceberam que ele estava armado e também atiraram nele.

Figueiredo ao lado da governadora eleita Fátima Bezerra — Foto: Arquivo pessoal

Figueiredo ao lado da governadora eleita Fátima Bezerra — Foto: Arquivo pessoal

Figueiredo

O soldado Figueiredo, como era mais conhecido, foi morto no dia 21 de dezembro de 2018. Ele transitava de motocicleta em uma ladeira próxima a um motel, que fica à margem da estrada do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, quando foi abordado por dois homens a pé.

Os bandidos atiraram e acertaram o ombro de Figueiredo. Ele tentou correr, mas foi atingido por mais disparos. O policial morreu no local e os criminosos levaram a pistola dele.

Amigos de Figueiredo informaram que o lugar em que ele foi morto era uma rota comum ao policial, que morava na região.

Figueiredo ingressou na Polícia Militar em 2009 e era lotado no pelotão da PM em Taipu, mas também atuava como segurança de Fátima Bezerra (PT).

Movimento dos Policiais Antifascismo

Em nota enviada à imprensa nesta quarta-feira (10), o Movimento de Policiais Antifascismo agradeceu o trabalho realizado pela PM em colaboração com as investigações que apuram os homicídios do soldado Figueiredo – que era integrante do Movimento – e do sargento reformado Helton Cabral, mas também cobrou esclarecimentos quanto à motivação dos assassinatos.

“Ressaltamos que o trabalho realizado e o resultado por hora obtido estão em estreita comunhão com o que defendemos enquanto Movimento de Policiais Antifascismo, além de confirmar alguns nomes de suspeitos que ajudamos a levantar junto à Delegacia de Homicídios, poucos dias após a ocorrência”, destacou o cabo do Corpo de Bombeiros Militar Dalchem Viana, que faz parte do Movimento.

“A possibilidade de o crime não ter motivações políticas pode oferecer um conforto para a sociedade e ao Movimento. Embora vivamos tempos difíceis e a morte do colega Figueiredo tenha sido uma barbárie, alguns limites civilizacionais podem não ter sido transpostos, caso não seja realmente um crime de viés político. Não foi afirmado expressamente pelo movimento qual seria a motivação real do crime, mas sim, levantadas todas as hipóteses. O que deveria assombrar ou causar vergonha não seria uma descoberta da real motivação do crime (crime comum x crime político), mas a possibilidade, por si só, de este último ter acontecido, pois, João Maria Figueiredo, era ameaçado por alguns colegas de farda. Isso sim é motivo de constrangimento: operadores da segurança pública ameaçando até colegas, apenas e tão somente, por conta de suas opiniões políticas”, acrescentou Dalchem.

O Movimento encerrou a nota agradecendo mais uma vez a atuação de todos os envolvidos, destacando “a solidariedade de pessoas de dentro e fora do estado, e até de outros países”, e das instituições que lidaram diretamente com o caso, como os investigadores da DHPP e PMs.

“E reforçamos a nossa atuação e nossos ideais em busca de uma polícia que respeite mais os seus próprios quadros (especialmente a base, que é, inclusive, a que tomba), que seja mais eficiente e que se veja parte da sociedade. Ao Companheiro Figueiredo, onde quer que esteja, esperamos que tenha encontrado algum conforto. Você estará sempre em nossos pensamentos e ideais e não sossegaremos até que todo caso seja esclarecido e todos os envolvidos punidos”, concluiu.




DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here