Com alterações de humor intensas, a TDPM faz com que a mulher se sinta incapaz de realizar tarefas básicas do cotidiano Thinkstock

A cara é de TPM, mas os sentimentos são de depressão: a TDPM, sigla para Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, é um quadro cíclico com alterações bruscas de humor que se manifesta sempre no período anterior à menstruação, conforme explica a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).


— A síndrome até apresenta manifestações físicas parecidas com as da TPM [como dor de cabeça, inchaço ou cólica], mas os sintomas psíquicos são bem mais relevantes. Na TDPM, os sentimentos de melancolia, a insônia, os problemas de concentração e raciocínio e ansiedade atingem graus de intensidade tão altos que, a longo prazo, causam prejuízos à funcionalidade da mulher. Há estudos que mostram ela afeta entre 3% e 8% das mulheres, outros já falam em 10%.

Com o passar do tempo, a paciente se sente indisposta e incapaz para trabalhar, realizar tarefas do dia a dia ou se relacionar com outras pessoas todas as vezes em que está prestes a menstruar, afirma Carmita.

— Desta forma, a TDPM deve ser tratada com antidepressivos de uso contínuo, e não somente no período em que o transtorno se manifesta, para que haja um controle constante das disfunções hormonais e das alterações psíquicas e neurológicas da paciente. É diferente da TPM, que atinge dois terços das mulheres e na maioria das vezes se resolve com mudanças no estilo de vida [prática de esportes, alimentação, etc] e terapia.

Depressão em mulheres

 Quadros depressivos em geral afetam até 23% da população feminina, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). A maioria é casada e tem idade entre 20 e 40 anos na primeira crise. De acordo com a especialista da FMUSP, os episódios de depressão em mulheres costumam estar ligados a fases de alterações hormonais acentuadas — que, além do período pré-menstrual, incluem fases como gravidez e lactação, puerpério e menopausa.

— Nesses momentos, há uma baixa de estrógeno no organismo. Esse déficit leva a uma alteração nos sistemas neurotransmissores e na modulação do sistema endócrino. São fatores que desencadeiam a depressão. Geralmente, acontece quando a paciente tem uma pré-disposição genética [com casos de depressão na família] e/ou é exposta a situações muito estressantes no cotidiano.

Falar sobre depressão é a melhor forma de acabar com estigma e combater a doença

Carmita ainda explica que o acompanhamento com um especialista e o tratamento com medicamentos adequados são imprescindíveis para que haja uma melhora completa nos quadros depressivos. “O tratamento às vezes leva tempo e na maioria das vezes demora, no mínimo, seis meses. Mas é importante ir até o fim especialmente para que não ocorram os chamados resíduos, quando um ou outro sintoma como insônia ou ansiedade permanecem isoladamente”, completa Teng Chei Tung, doutor em psiquiatria pela USP (Universidade de São Paulo).


Chei Tung destaca que, em casos não tratados adequadamente, a chance de reincidência dos episódios depressivos é de até 60% após o primeiro diagnóstico — isso tanto para homens como para mulheres. Depois da segunda vez, essa chance sobe para 90%.

— Muita gente abandona o medicamento ainda nos primeiros meses por pressão social. Porque alguém fala que não é legal tomar remédio por tal período, ou porque alguns dos sintomas melhoram e a pessoa acha que já foi o suficiente. Daí a importância de falar sobre depressão, para evitar que isso aconteça e quebrar esse estigma de que o depressivo é um inválido, inútil, preguiçoso ou simplesmente uma “pessoa difícil”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here