Parar de menstruar é opção para quem sofre com cólica forte ou fluxos intensos. Conheça os métodos disponíveis

Escolha deve ser feita após consulta ao médico; pílula e DIU com hormônio são alternativas

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Na vida de muitas mulheres, menstruação é sinônimo de inconveniência. Cólicas fortes, fluxo intenso, TPM e outros transtornos fazem com que elas procurem por soluções para interromper o sangramento por longos períodos de tempo.


A suspensão dos ciclos menstruais — que os médicos chamam de amenorreia — pode ser induzida por meio de medicamentos contraceptivos. Os métodos disponíveis atualmente são vários, mas é importante lembrar que a escolha deve ser feita sempre depois de uma conversa com um ginecologista: “Só um profissional qualificado pode avaliar os melhores métodos em termos de eficácia, duração e etc.”, afirma a ginecologista Flávia Fairbanks, que é pós-graduada pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) nas áreas de Endometriose e Sexualidade Humana.

DIU com hormônio

Entre as opções disponíveis para as mulheres que desejam interromper a menstruação, uma das mais eficazes é o DIU (dispositivo intrauterino) com hormônio. Trata-se de uma peça em forma de T fabricada à base de progesterona, cujo preço na farmácia gira em torno de R$ 800. Ele é colocado pelo médico no consultório dentro do útero da mulher e libera o anticoncepcional diretamente no local por até cinco anos, explica a médica.

— A função da progesterona liberada por esse DIU, que fica em contato com o endométrio [membrana que reveste a parte interna da parede do útero e que descama na menstruação], é justamente torná-lo cada vez mais fino. Então, chega um ponto em que o endométrio se torna tão fino que não descama mais. Isso induz a paciente à suspensão da menstruação.

De acordo com a especialista, 40% das mulheres que utilizam o método param de menstruar, quase sempre ao fim do primeiro ano de uso. “Dados do laboratório que produz o DIU com hormônio dizem que outros 40% mantêm os ciclos menstruais, mas de forma bem menos intensa, que não incomoda a paciente; e até 20% das usuárias podem ter escapes mais irregulares”, completa.

A grande vantagem do DIU é que ele não depende dos hábitos da usuária para ter seu efeito garantido. “Não há interferência de fatores externos. É diferente, por exemplo, da pílula, que a mulher pode esquecer de tomar, pode ter uma crise de diarreia ou vômito e não absorver nada e assim por diante”, afirma Flávia. Além disso, a ginecologista ressalta que o dispositivo tem menos efeitos colaterais em relação a outros métodos.

— Como ele fica dentro do útero, 90% da medicação liberada por esse DIU é absorvida diretamente no lugar onde ela deve funcionar. Só 10% caem na circulação geral do organismo.

O DIU com hormônio, diferentemente do tradicional DIU de cobre, ainda não é oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Implante sob a pele

Outra das boas soluções para as mulheres que queiram interromper a menstruação é o chamado implante subcutâneo — peça que se assemelha a um pequeno bastão feita também à base de progesterona. Ele é colocado pelo médico em consultório no braço da paciente, na linha do cotovelo, e libera o medicamento na corrente sanguínea por até três anos. Boa parte das mulheres para de menstruar em até três meses após o início do uso. O preço varia entre R$ 800 e R$ 1.200 e ainda não há disponibilidade pelo SUS.

“No caso do implante, o hormônio é 100% absorvido pela circulação geral e só depois chega no sistema reprodutor, onde deve fazer efeito. Ele também atrofia bastante o endométrio e, por isso, suspende a menstruação”, pondera Flávia. Os efeitos colaterais são pouquíssimo frequentes, mais existem. De acordo com Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra, eles podem envolver tontura, inchaço, aumento na oleosidade da pele e queda de cabelo.

O especialista ainda firma que, quando a paciente apresenta sobrepeso, a opção pelo implante subcutâneo deve ser avaliada com mais atenção, já que as células gordurosas podem interagir e interferir na absorção do medicamento.

Pílula de uso contínuo

Para as mulheres que procuram por métodos mais baratos e sem necessidade de intervenção no consultório para suspender os sangramentos, há a opção da pílula de uso contínuo. O preço da cartela com 28 comprimidos varia em torno de R$ 30 e há disponibilidade na rede pública de saúde.

Neste caso, o medicamento é feito somente à base de progesterona — diferentemente da pílula convencional, que combina progesterona e estrogênio — e oferece baixas doses hormonais, próprias para a utilização diária, sem pausas, conforme explica Flávia Fairbanks.

— A pílula de uso contínuo é bastante aceita pelas pacientes, com poucos efeitos colaterais. A única ressalva é que ela depende dos hábitos da usuária para ter sua eficácia garantida. Então se a mulher esquece de tomar, atrasa, faz uso de antibiótico, tudo isso pode interferir no efeito do medicamento e até causar transtornos como escapes mais frequentes. Mas aí depende muito da paciente e do comportamento dela, geralmente não há problemas.

Quem não deve parar

Os especialistas consultados pelo R7 afirmam que, a princípio, são poucas as contraindicações dos métodos utilizados para a suspensão da menstruação. “A contraindicação existe para o caso dos organismos que não podem receber hormônios. Organismos que já apresentaram problemas em relação a algum tipo de hormônio. Há pacientes com alto risco para câncer e casos de câncer hormônio-dependentes [como os tumores de mama] na família que não devem ter sua menstruação bloqueada por anos a fio”, avalia a ginecologista Flávia.

Para a médica, é fundamental ainda ressaltar que essas medicações não devem ser prescritas imediatamente após o momento em que uma adolescente começa a menstruar, exceto se houver uma indicação médica forte para isso.

— A gente precisa ter a consciência de pelo menos deixar o organismo funcionar um tempinho, alguns anos no começo do processo da menstruação, para depois oferecer esse tipo de alternativa.


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