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O ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar, um dos ex-dirigentes da empreiteira que fecharam acordo de delação premiada, afirmou em depoimento que Frei Chico, irmão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu mesada da empreiteira pelo período de 13 anos e que esses pagamentos chegaram a R$ 5 mil.




A informação de Alexandrino Alencar constra de trecho da delação. O depoimento do ex-executivo da Odebrecht foi remetido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à Justiça Federal no Paraná, responsável por decidir se abrirá investigação para apurar o caso.

Procurado, o Instituto Lula informou que não comentará o assunto.

Os pagamentos a Frei Chico

De acordo com o delator Alexandrino Alencar, a mesada começou a ser paga a Frei Chico após Lula assumir a Presidência da República, em 2003.

Ainda segundo o delator, eram pagos inicialmente ao irmão do ex-presidente R$ 9 mil a cada trimestre, mas Frei Chico pediu aumento e a empresa decidiu pagar a ele R$ 5 mil por mês.

Alencar declarou, ainda, que foi uma opção da Odebrecht pagar a mesada a Frei Chico, mas acrescentou que o ex-presidente “sempre soube” dos repasses.

O delator disse, também, que Frei Chico tinha o codinome “Metralha” e que a entrega do dinheiro a ele era feita pessoalmente.

Inquéritos

No mês passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal 83 pedidos de abertura de inquérito para investigar políticos citados nas delações de ex-executivos da Odebrecht.

O relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Luiz Edson Fachin, determinou a abertura de 76 inquéritos para investigar, ao todo, 8 ministros do governo Michel Temer; 24 senadores; 39 deputados; e 3 governadores.




Além disso, Fachin enviou para outras instâncias da Justiça mais de 200 petições, que tratam de indícios sobre pessoas que não têm foro privilegiado. Entre essas pessoas, está o ex-presidente Lula.