Eliana anuncia que está grávida aos 43 anos. Há riscos na gestação?

Maternidade após os 40 pode provocar diabetes gestacional e até complicações no parto

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Eliana namora Adriano Ricco há dois anos reprodução/Instagram

A apresentadora Eliana anunciou neste domingo (2) que está esperando uma menina. Ela já é mãe do pequeno Arthur, de cinco anos. Segundo o Ministério da Saúde não cada vez mais brasileiras optam por ter filhos após os 40 anos. Dados recentes divulgados pela pasta mostram que o número de mulheres que foram mães após essa idade subiu 49,5% em 20 anos, passando de 51.603 em 1995 para 77.138 em 2015, dado mais recente disponível, divulgado em fevereiro. Porém, de acordo com especialistas, a gestação a partir dos 40 anos pode trazer riscos para a saúde da mãe e também do bebê.




O ginecologista e responsável pelo Centro de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês, Carlos Alberto Petta, explica que a gravidez tardia pode provocar pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, complicações no parto, aumento da possibilidade de aborto, nascimento prematuro e alterações genéticas.

— Quanto maior a idade, aumenta o risco. A chance de aborto aos 40 anos é de 25%, já aos 44 anos pode chegar a 50%, pois o aborto também está relacionado às alterações genéticas. Além disso, após os 40 anos, sobe muito a possibilidade de a mãe ter diabetes gestacional e aumento da pressão arterial [pré-eclâmpsia]. Se a mãe tem problemas clínicos, muitas vezes, deve-se também adiantar o parto do bebê.

Em mulheres que engravidam aos 30 anos, a incidência de síndrome de Down (uma das principais alterações genéticas) é de um a cada mil nascidos. Aos 40 anos, é de um para cem nascimentos. E aos 45 anos é de um para cada 50.

De uma forma geral, os riscos de a mulher ter problemas na gestação entre 20 anos e 30 anos é de 10%. Já na faixa etária entre 30 e 35 gira em torno de 15% e isso aumenta progressivamente, chegando aos 40 anos com 40%, diz ele.

Infertilidade aumenta após os 35

Engravidar naturalmente após os 35 anos torna-se bem mais difícil, segundo explica o ginecologista e obstetra Rodrigo da Rosa Filho, da SBRH (Sociedade Brasileira de Reprodução Humana), são mais comuns do que se imagina.

— O que acontece é que o índice de infertilidade começa a aumentar depois dos 35 anos. Nós consideramos infértil a mulher que tenta engravidar sem sucesso por, no mínimo, um ano. Entre as mulheres de 30 anos de idade, o índice de infertilidade é de 15%. Já entre as pacientes de 40 anos esse índice é de quase 50%.

De acordo com Rosa Filho, o processo acontece porque as mulheres nascem com um estoque de óvulos para toda a sua vida fértil. Com o passar do tempo, entretanto, essa reserva é comprometida em termos de quantidade e qualidade.

—Um óvulo de 40 anos tem mais alterações genéticas decorrentes da idade, muitas vezes, ele não consegue gerar um embrião. Quando consegue, o índice de aborto também é maior. Há dificuldades para engravidar e para manter a gravidez.




Pré-Natal adequado

Se você está grávida aos 40 ou mais, os cuidados com a saúde devem ser redobrados: nessa faixa etária, a chances do aparecimento de complicações como pré-eclâmpsia, diabetes e hipertensão gestacionais são dobradas em relação aos 30 anos, de acordo com Rodrigo Rosa: “Os riscos são aumentados, mas vale lembrar que a gestação saudável é perfeitamente possível em qualquer idade”, diz. O mais importante é realizar o acompanhamento médico e manter hábitos saudáveis desde as primeiras semanas de gravidez.

— Toda mulher que pensa em engravidar deve aderir a uma dieta equilibrada e evitar hábitos nocivos como tabagismo e o excesso de álcool. Fora isso, o acompanhamento médico personalizado e atencioso desde o início da gestação permite o diagnóstico precoce de pré-eclâmpsia, diabetes e hipertensão gestacionais. Essa detecção precoce diminui os riscos de saúde tanto para a mãe quanto para o bebê, além de evitar um parto prematuro.

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