Cansaço excessivo pode ser sinal de doença grave, alertam especialistas

Hipotireoidismo, diabetes, anemia e até intolerância à lactose provocam muita fadiga

134

Você dorme muitas horas e não se sente descansado? Ou tem dificuldade para realizar atividades cotidianas porque se sente fraco? O cansaço excessivo pode ser sinal de alguma doença, como anemia, hipotireodismo, diabetes e até mesmo tolerância à lactose, segundo especialistas consultados pelo R7.



O endocrinologista membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) Pedro Assed explica que a astenia, que é a perda ou redução da força física é “a pontinha do iceberg. São os outros sintomas que definem de que doença se trata cada caso [veja abaixo cada caso]”.

Além disso, o especialista explica que é necessário separar a fadiga em fadiga física e psicológica. A indisposição psíquica, que impede a realização de atividades, sugere doenças como depressão. Nesse caso, o mais indicado é buscar um psiquiatra, que pode realizar uma avaliação completa do quadro para o tratamento correto.

— Já para o cansaço físico, as possibilidades são múltiplas e incluem condições como intolerância a lactose, anemia, hipotireoidismo e diabetes.

Hipotireoidismo

Trata-se de uma disfunção na tireoide, glândula que atua no crescimento das crianças, no peso, na memória, na fertilidade, no humor e no controle emocional. Essa doença faz com que o organismo ataque a glândula, que para de produzir os seus principais hormônios. A principal causa, conforme explica o endocrinologista, é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune e crônica.

Cansaço em excesso é sinal de que algo não anda muito bem no seu corpo
Thinkstock

Os sintomas envolvem ganho de peso, intolerância ao frio, queda de cabelo, retenção de líquido, constipação, unhas quebradiças, sonolência e cansaço. A doença é controlável com medicamentos de reposição hormonal.

Diabetes

Há dois tipos principais: o tipo 1 é comum em crianças, adolescentes e jovens adultos, e é um ataque autoimune contra o pâncreas, que deixa de produzir insulina, o hormônio responsável por diminuir os níveis de açúcar no sangue, explica Assed.

— Com isso, a glicemia tem uma disparada súbita e é necessário iniciar o uso da aplicação de insulina na via subcutânea.

Já o diabetes tipo 2 corresponde a 80% dos casos, acomete adultos entre 50 e 80 anos e está ligado ao excesso de peso e aos maus hábitos, como sedentarismo. Nesse tipo, a insulina tem dificuldade de agir corretamente e, ao longo do tempo, o pâncreas a deixar de produzir o hormônio nos níveis adequados.

— O tratamento inicial envolve mudança nos hábitos e medicação, porém, em algum momento, o indivíduo pode vir a precisar de insulina.

No caso do diabetes, seja qual for o tipo,os sintomas são excesso de fome, ingestão excessiva de água, excesso de urina, perda de peso inexplicável e cansaço, especialmente quando a glicemia está descontrolada. Segundo Assed, o cansaço se dá por causa da desidratação e pela dificuldade do organismo em transportar a glicose para as células.

De acordo com o endocrinologista, como os sintomas podem não ser tão claros, o diagnóstico é, por vezes, tardio. Por causa disso, é importante realizar exames médicos com frequência — a cada seis meses — para ficar atento. O papel do médico nesse caso é alertar aqueles que têm predisposição à doença sobre os riscos.

Hipoglicemia

O quadro de hipoglicemia, quando baixa o nível de açucar no sangue, é comum em quem tem diabetes. Porém, também pode ocorrer em decorrência de certo tipo de medicações e também em quem fica em jejum prolongado também pode enfrentar os sintomas.

Os sintomas da hipoglicemia incluem tontura, tremor, taquicardia, alteração de humor, sonolência, agitação, sensação de desmaio e suor frio. O tratamento para o caso é a reposição de glicosee. Em casos mais brandos, um suco de laranja com açúcar ou copo de refrigerante é suficiente, mas em casos graves pode ser necessário injetar glicose na veia.

Anemia

Há vários tipos de anemia, mas a mais comum é a causada por deficiência de ferro, chamada de ferropriva, segundo explica Camila Naegeli Caverni, nutricionista da Headache Center Brasil e pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Outros tipos como as deficiências de zinco, vitamina B12 e ácido fólico são mais raros.



A anemia reduz os níveis de hemoglobina em circulação na corrente sanguínea, o que significa que as células vermelhas não se formam corretamente.  Com isso, o transporte de oxigênio para as células do sangue diminui, o coração trabalha mais e a pessoa fica cansada, pálida e prostrada. Um dos sinais mais famosos da anemia é a coloração no interior do olho, que fica amarelado.

As causas da doença são a insuficiência de alimentos fonte de ferro na dieta ou ingestão de alimentos com baixa biodisponibilidade — que acontece quando o ferro não é bem absorvido pelo organismo, explica a nutricionista.

— A forma de tratar é reintroduzir alimentos que são fonte de ferro diariamente. As principais fontes são carnes vermelhas, principalmente miúdos como moela, além de fígado. Depois, há as carnes de aves e peixes e mariscos crus. É possível comer alimentos de fontes vegetal como agrião e rúcula; leguminosas como feijão, ervilha e lentilha; grãos integrais como arroz; e alimentos enriquecidos como pão e leite.

É possível que haja necessidade de medicamento, dependendo da gravidade da deficiência. Além disso, Camila explica que não é indicado consumir ferro e cálcio na mesma refeição, porque no momento da absorção dos nutrientes pelas células, eles utilizam o mesmo canal e o cálcio acaba sendo melhor absorvido.

Uma dica para melhorar a absorção do ferro é consumir alimentos ricos em ácido ascórbico: as frutas cítricas são as que melhor desempenham essa função.

Intolerância à lactose

A intolerância à lactose se dá devido à deficiência total ou parcial de uma enzima chamada lactase, que é responsável pela quebra da lactose, um açúcar presente no leite e seus derivados. A lactose não consegue entrar nas células inteira, então precisa ser quebrada, segundo explica a nutricionista. Quem tem deficiência da lactase não consegue transformar a lactose, que entra intacta no intestino. Com isso, os processos de fermentação das bactérias intestinais acontecem causando desconforto abdominal ao indivíduo, que sente cólicas, aumento de produção de gases e até irritação e inchaço.

Esse quadro, se prolongado, causa desconforto, diarreia, cólica e processos inflamatórios no intestino. O processo pode gerar diminuição na absorção de vitaminas e minerais, o que ocasiona o cansaço, bem como queda capilar, unhas quebradiças, pele ressecada e demais sintomas relacionados a cabelo, pele e unhas, como diz a nutricionista.

— Há três tipos de intolerância. A congênita, em que a pessoa já nasce incapaz de produzir a enzima lactase; a primária, que é a mais comum e acontece porque naturalmente a produção da enzima diminui no decorrer da vida e a causada por doenças intestinais, porque a desregulação no processo digestivo pode ocasionar a intolerância.

O tratamento é via alimentação. A especialista conta que, hoje, há muitos alimentos sem lactose com sabor agradável e que é possível fazer substituições. Há também a possibilidade de consumir a enzima lactase em comprimidos antes de fazer refeições. Entretanto, a nutricionista faz considerações.

— Pode haver o consumo, mas eu não recomendo que seja de forma contínua e prefiro fazer intervalos durante esse tipo de tratamento.